quarta-feira, março 24, 2004

A Gerência avisa

Caros amigos e amigas, meninos e meninas, senhoras e senhores... indecisos também... Serve o presente post para comunicar a todos que, como já devem ter reparado, o Há Coincidências está em profunda fase de restruturação.

O projecto começou bem e é muito ambicioso, mas pelo caminho urge sempre o aperfeiçoar e o crescer.
Mudar, faz parte da vida...

Como tal, muito em breve (mesmo breve... esperamos...), o HC irá reabrir, cheio de coisas novas e textos fantásticos (nada de novo podem dizer...), mas prometemos caras novas, ideias novas e muita... muita... mesmo muita... maluquice.

Pelo caminho ficaram as pessoas que sairam... um grande obrigado a todos... pelo tempo, pelos textos, pelo sonho... prometemos esforçarmo-nos para não vos desiludir. Estarão sempre no nosso coração.

Um grande abraço...

(agora é só esperar...)



terça-feira, março 16, 2004

Capitulo dezasseis

"Nós não aterramos em Portugal... Portugal aterrou em nós..."

As malas arrastavam-se aos trambolhões rocambolescos no passeio à saída de casa. Rodolfo e a família partiam de armas e bagagens para território luso… mas algo não cheira muito bem nas malas. Para trás ficava a França da vida difícil, da fome que chegaram a passar para juntar dinheiro que enviavam. É claro que essa França era oculta, pois nas histórias que contam tinham sempre a barriga cheia e uma nota no bolso. Mas isso agora não interessa.

A viagem foi chata como tudo. Horas e horas intermináveis de condução maluca e inconstante, acompanhada do melhor que há de musica portuguesa. De José Cid a Ágata, passando pelo Dino Meira, pelo Nelo Silva & Cristiana, Broa de mel, Diapasão, Roberto Leal e Emanuel… todas as Cátias Vanessas do panorama musical português. Foi uma tortura. Percebo agora as inúmeras vezes que Sebastian virava o barco sempre que o pai trocava o CD, curiosamente. Caroline divertia-se com o sofrimento do irmão e simulava vómitos só para enjoar ainda mais o irmão e assim adoenta-lo… quando isso não bastava falava sem parar de comidas enjoativas e engorduradas que gostava que o pai fizesse no café… o chamado serviço de snack…
Francoise limava as unhas, pintava-as, arranjava o cabelo de 5 em 5 minutos, corrigia o baton, retocava o brilho na pele… tudo tinha que estar perfeito quando chegasse… todos teriam que ver o quanto era fina…

Ao fim de muitas horas de viagem finalmente Portugal… a placa acolhedora do país natal, o ar fresco com sabor português, os rostos sorridentes que parecem familiares mesmo sendo uns gajos quaisqueres que moram perto da fronteira, o sol que parece que agora mais brilha, a estrada esburacada que faz o carro trepidar como uma carroça, a brigada de transito a mandar parar… “MERDE… este país est a mesma merde…! TOUJOURS A MESMA MERDE”!
“BÁ… o xor pare de falare male e mostre-me os documentos da dita biatura xe faz favore, e mais respêtinho pela autoridade!”

Multado, aos pulos de cova em cova no asfalto português… chateado com o peso dos quilómetros em cima, e maçado com os regurgitamentos do filho nos estofos em pele e os risos cínicos da irmã a incentiva-lo. E com a ausência de ideias ou palavras da esposa, Rodolfo chega à terrinha já ao cair da noite, com vontade de se meter na cama, no seu pequeno palacete de emigrante.
Amanha é outro dia… ele tem um café para montar e muito que fazer… ohhh se tem…
Mas algo ainda cheira mal nas malas… descobrem o Asterix… o pequeno gato da família morto dentro de um saco…

“MERDA Caroline… eu não te disse que o gato ficava lá na França?

sexta-feira, março 12, 2004

Capítulo Quinze

O fim de Vicky Cabral

Foi na festa da agência produtora de filmes pornográficos Mirapolla Entertainment que António viu Vicky pela primeira vez. O jovem espanhol era um trapezista que havia ganho o apelido de “El Abutre” devido aos seus famosos altos vôos sem rede. "Bicky, te admiro muchíssimo" dizia repetidamente enquanto abraçava Laura, sua esposa e contorcionista de profissão - uma mulher alta e esguia, de feições eslavas. Contudo o seu olhar recaíra em Vicky e nas suas formas estranhas: ora voluptuosas ora estranhamente masculinas. Era disto que ele estava à procura... Uma mulher a sério. Nos três meses seguintes perseguiu secretamente Vicky à espera da oportunidade perfeita para um "Por aqui? Que coincidência! Um café? Claro."

"Por aqui?" - sorriu Vicky ao vê-lo na secção Congelados do supermercado. O que fazia um homem tão invulgar por ali? Porque não estava na área Desporto e Lazer a escolher novas cordas para o seu arriscado número? O andaluz parecia-lhe agora terrivelmente monótono e igual aos outros. E era isso que ela procurava.

Do "Un cafe por favor, sin azucar" a uma relação séria e estável foi um instante. Com a vida estabilizada tudo parecia correr um pouco melhor. Pouco tempo depois, numa prova de maturidade, Vicky passava para o outro lado das câmaras para realizar "Circo de ninfomaníacas".A crítica levantou-se, de várias maneiras, para aplaudir o filme.

A fama e o amor estavam finalmente de mãos dadas. Foram tempos de felicidade até acontecer o inesperado: num momento de intimidade, o seio esquerdo de Vicky explode na cara do trapezista. Embora os ferimentos sejam insignificantes, os remorsos de Vicky obrigam-na a contar o seu passado para explicar o ocorrido. António ouviu-a silenciosamente. Ainda atordoado, levantou-se e disse em voz baixa "Pouco me importa o facto de teres sido um homem. O que me aborrece é que eu não gosto de gelatina, muito menos que a atirem à minha cara. Que má educação!"

Em passos lentos dirige-se para a porta e sai. Vicky fica sozinha no chão do quarto. Ouve o som do carro do amante, que parte. Mil questões vêm-lhe à mente nesse momento: "Será que ele me vai abandonar? Porque é que isto aconteceu? Porque é que estou a fazer de foro sentimental quando uma parte do meu corpo acabou de explodir e por certo não sobreviverei? Porque é que a pessoa que escreve isto e que me criou tem uma alarmante incapacidade para ilustrar com algum detalhe situações com palavras, que levarão eventualmente o leitor a ver o 'filme' de um texto pobre no conteúdo e imaginação com descrições demasiadamente apressadas e superficiais?..."

Num ápice, mete-se no seu carro e dirige-se para o circo. Quando lá chega, vê António sentado no trapézio. Sente o seu coração bater mais forte. Sim, é o homem que ela ama realmente. Sorri docemente e olha em volta. O circo está deserto mas os animais fazem barulho e arranham as grades das jaulas ao ver o rasto de sangue misturado com silicone deixado por Vicky aquando da sua entrada.

António "El Abutre" continuava suspenso no trapézio. Quando repara que Vicky o olhava do solo, não contém a fúria. "Gelatina! Atiraste-me gelatina!" grita, largando o trapézio. Caiu em cima de Vicky e ambos tiveram morte imediata. Um papagaio amazónico palrou da sua gaiola "Xeuatina. Ouá. Mim Louro." e os macacos aplaudiram. Era o final esperado para a tragédia. O silêncio caiu sobre o circo e fecharam-se as cortinas para sempre. O circo não voltou à cidade e os filmes de Vicky tornaram-se um culto com poucos seguidores.

quarta-feira, março 10, 2004

Capítulo Catorze

A reviravolta de Valéria

Valéria era a devassidão com forma humana! Não havia em Lisboa criatura, homem ou mulher, morta ou viva, em pé ou deitada, que Valéria não tivesse já experimentado, no sentido absolutamente sexual da conversa, claro!

Um dos seus muitos fetiches era usar apenas a casa-de-banho dos homens nas discotecas. Certa noite, juntou-se a um grupo que estava a dar na branca e, após terem despachado umas vinte gramas cada um e já ter lambido os restos do saquinho de plástico, deu por si em pleno acto sexual com cinco homens. Entrou o segurança da discoteca na casa-de-banho e Valéria, ainda com o nariz e a boca dormentes e cheios de coca, saltou-lhe para cima e, em vez de cinco, foram seis ao mesmo tempo.

Para ela foi uma noite perfeitamente normal! Para a discoteca, foi uma noite memorável, tendo Valéria ficado conhecida como Val a fodilhona Mor!

Manhã em que Valéria não acordasse nua no meio de dez ou vinte pessoas não era manhã! ... e certamente não seria Valéria!

A coca servia de antibiótico e nunca ficou doente, ou nunca passou mais que duas horas em casa. A tia obrigava-a a viajar com esperança que as viagens a ajudassem a procurar um objectivo na vida. Sem dúvida que a tia estava certa! Valéria tinha descoberto que não havia nada melhor na vida que as orgias e a cocaína!

Foi numa manhã, num palácio em Veneza, quando acordou na maior orgia em que alguma vez participara (cinquenta pessoas se bem me recordo), que tomou a decisão de mudar de vida! Tomou banho, vestiu-se, deu o último traço de coca e viajou para Lisboa.

Decidiu exercer Psicologia Clínica em Santa Maria e desintoxicar-se da cocaína.

Chegou a Lisboa, foi ao médico e, nesse momento, descobriu ser seropositiva. "Foi o filho da puta do Diogo", pensou! Era o único que não usava preservativo! No entanto, recordou-se que em muitas das orgias não se recordava de todos os pormenores...e o uso de preservativo era um deles!

Foi uma reviravolta na sua vida que a fez repensar em toda a sua existência.

Ao sair do médico, decidiu! Iria viajar para Moçambique e iria trabalhar como voluntária nos Médicos do Mundo!

Dois meses depois da descoberta, apanhou o avião no aeroporto da Portela para Maputo e desapareceu algures no sul de Moçambique, onde iria dar apoio psicológico às vítimas de guerra.

Desde o embarque na Portela, ou seja há um ano, que a tia não sabe nada dela, mas presume-se que esteja bem e viva!

segunda-feira, março 08, 2004

Capítulo Treze

UMA NOITE AGITADA
Era Jurassi, uma brasileira escultural, daquelas que só se vêem nas telenovelas, quem desinquietava Xavier. A carioca fazia parte da comunidade onde Xavier procurara refúgio meses atrás, fugindo da vida agitada e stressante da urbe. Aí, em pleno concelho de Montalegre, quase a roçar a fronteira com nuestros hermanos, encontrou a paz de espírito, tornou-se vegetariano e abraçou o celibato, devido à vida que levava.

A comunidade, originalmente criada por um casal alemão, já atingira as três dezenas de pessoas, dos cinco continentes, e subsistia de uma forma quase auto-suficiente. Da agricultura à pastorícia, cada elemento tinha um papel fundamental, trabalhando em prole do colectivo. Ali não se faziam grandes perguntas, não existia passado, apenas se vivia o presente, em estreita comunhão com a natureza. Jurassi, por força da partilha da mesma língua (e não só), era a principal confidente de Xavier.

Naquele instante, o cansaço largava o corpo de Xavier mais depressa do que a mão da menina libertava o seu tronco molhado. Jurassi apresentava-se com o seu reduzido bikini de fazer parar o trânsito, coberto apenas por um avental.

- Então, tás-te a fazer difícil ou não ouviste a pergunta? Afinal, queres ou não a prenda?
- Er, ..., ha, ..., claro, claro que quero agora a prenda!
- Tens cinco minutos para te despachares, senão começo sozinha.

Acto contínuo, Xavier despiu-se e mergulhou nas águas geladas do rio. Tremeu, num misto de frio e excitação, e tonificou-se para uma noite que prometia ser longa.

Seis longos minutos passados, o rapaz apresentava-se cheiroso e de roupa lavada na cabana de Jurassi, preterindo o convívio do jantar comunitário em prole da intimidade de uma refeição a dois. Apesar de ser um rapaz viajado, Xavier nunca tinha experimentado a gastronomia brasileira. Esta era a oportunidade, estava em pulgas.

- Tava a ver que tinhas desistido...

Antes da menina conseguir acabar a frase, já o rapaz saltava para cima da mesa. Seguiu-se, como previsto, uma noite longa e bem regada a caipirinhas. Xavier adorou a carne brasileira, estava sôfrego, não conseguia parar. Só nessa noite suou mais que numa semana a rachar lenha. A gritaria era tal que ninguém conseguia dormir e Jurassi viu-se obrigada a chamar o 112 pois, ali ninguém tinha carro, e Xavier acabava de sofrer uma congestão de tanta picanha e caipirinha. Estava a pagar cara a sua gula, após longa abstinência de carne.

Xavier acabou por não sobreviver ao exagero dessa noite, e a várias horas na sala de espera das urgências do hospital.

sexta-feira, março 05, 2004

Capítulo Doze

Tony no desenrascanço...

Pessoas em torvelinho, luzes, música, o baile estava animado. E isto era apenas o começo. Tony estava contente. A banda dava o seu segundo baile naquele pequeno bairro da vila alentejana. A bebida corria a jorros, especialmente a fresca cervejola. A continuar assim a popularidade da rapaziada, não iriam faltar contratos para animar os bailaricos da região. O dinheiro estava a entrar.
Toda e gente da terra foi ao baile. Os ricos, os pobres, o pessoal da Comissão de Festas – o Presidente da Junta de Freguesia e a filha dele.
Tony poisou os olhos na rapariga e a partir desse momento deixou de ouvir a música. Chamava-se Mariana, devia ter uns dezoito anos e era a coisinha mais apetitosa que ele tinha visto até àquele momento. Olhos negros, cabelo de moura encantada e um sorriso doce que apelava ao desejo dele de dançar a noite toda.
O casamento tinha arrefecido muito pois Tieta tinha ciúmes das saídas dele com a banda. Acusava-o de abandono das obrigações conjugais. Ele respondia que não que o que estava a acontecer era que sete anos de relacionamento levam a um certo abrandamento da paixão. Que a amava da mesma forma e que ela continuava a ser a luz da sua existência. Para a calar levou-a à butique da D. Custódia, que vendia roupas trazidas , na candonga, directamente de Londres. Comprou-lhe um lindo tailleur de marca, num tom rosa bebé que Tieta vestiu na segunda-feira e fez grande sucesso no escritório. Ficou mais calma. A fera adormeceu dentro dela. O marido sabia como tratar das suas frustações.
Assim, com a mulher amansada, Tony sentiu que podia avançar na direcção de menina dos olhos negros. Levantou-se com aquele andar engatador, que lhe era tão natural e a gingar dirigiu-se em linha recta ao outro lado do salão. Como já tinham trocado alguns olhares ela sabia que ele se dirigia para ali. Foi com emoção e o seu jovem coração aos pulos que ouviu ele dizer: - A menina dança? Dançaram até de manhã. Ele solto e falador sempre a apertá-la em crescendo, ela sentindo-se desmaiar nos braços daquele homem de fora que lhe parecia o príncipe há muito esperado.
A manhã veio encontrá-los nas traseiras do salão de baile, num pequeno armazém mais ou menos abandonado, abraçados e felizes. Dizia ela, sussurando-lhe ao ouvido: - “Tony, meu amor, foste o primeiro!” Estavam no céu, mas aterrou-lhe o pai da pequena em cima .Pegou Tony pelo pescoço e gritou-lhe: - “Ah! Desgraçado que me desonraste a filha!”
No susto Tony saltou e num impulso soltou-se. De improviso o nosso galã lá entabulou um longo discurso de desenrascanço. Depois de muitos “tenha calma, sou um homem de bem “e muitos “eu gosto da sua filha e tenho as melhores intenções!”, o Tony despediu-se do homem tratando-o por “sogro” e aplicou um lindo beijo de despedida na face esquerda da menina com um “adeus querida, até ao próximo baile”. Dentro dele tinha a secreta esperança de nunca mais ali voltar .Havia de riscar esta vila do roteiro da banda.
De regresso a casa Tony sentia-se um pouco receoso. Tomou mil cuidados para não dar qualquer indício a Tieta do que havia acontecido. Certificou-se de que não cheirava ao perfume da menina, conferiu o estado do cabelo e rosto, olhou-se ao espelho para verificar se havia manchas de batôn e chegou a casa de alma limpa, confiando no seu instinto. Tinha-se desenrascado mais uma vez.
Tony entrou na sala e encontrou Tieta caída no chão, espumando da boca e esperneando. Nesse momento e sob o efeito da surpresa, sentiu-se o homem mais porco do mundo. No meio da aflição do ataque epiléptico de Tieta , Tony recordou a fabulosa noite com a virgem, filha do Presidente da Junta, e dividiu-se entre a sua paixão ao desflorar virgens ou amar Tieta, a oficial.

quarta-feira, março 03, 2004

CAPÍTULO ONZE

Vasco na Naite

- Merda! Já estava de novo atrasado. Vasco sai religiosamente todas as sextas-feiras. O itinerário é sempre o mesmo, as pessoas são sempre as mesmas. Também numa terra pequena e culturalmente no século XIX, o que se podia esperar?
- Merda![1] Voltou a esquecer-se da escova de dentes no bolso de trás, junto à carteira, só reparou porque à última da hora teve que tirar as chaves de casa do bolso para voltar a entrar dentro de casa e verificar, pela quarta vez, se se teria esquecido de desligar o gás.
Finalmente na rua, dirige-se a passos apressados para o Europa, a tasca mais ranhosa de Santarém. Mas que poderia fazer? A malta junta-se toda lá e a cerveja é mais barata...
- Se calhar é mais barata porque os gajos poupam muito no detergente... – pensou no meio de um vómito.
- Ó Vanessa, é uma cerveja, não, não é preciso copo, obrigado!
- Tão meu, comé que vão esses computadores?
- Bem, ...
- Ó Cati, vamos para onde hoje?
Era sempre assim, saía de casa, estava com pessoas que conhecia desde estudante mas raramente, acabava uma conversa. As pessoas à noite, não estão com muita disponibilidade para ouvir, estão mais numa de se mostrarem – e estes mostravam-se muito contentinhos por sinal!
- Então, representas a próxima? Lá iam todos em filinha pirilau para a parte de trás do prédio fumar umas brocas, sem dar estrilho. Qual quê, vinte marmanjos a saírem de um café direitos às traseiras não dá espiga, apenas lhes deu vontade de mijar. E as gajas? A elas também lhes deu a vontade, e depois?
Depois do Europa, tem-se sempre duas ou três escolhas antes da discoteca, a mais concorrida é um bar chamado Doutores e Engenheiros e que é nada mais nada menos que uma garagem com um bar, umas colunas e um écran gigante que passa vídeos da VH1. Neste bar as conversas são imperceptíveis devido aos elevados decibéis da mistela pop-pimba-à-lá-radio-cidade.
- Tão ó Vasquinho tá-se? Olha-me só prás tetas daquela mula! Aquela merda desafia a gravidade, tenho que ver se dou umas voltas naquilo...
As mulas nem sequer reparam no Vasco, só Rita, a hipopótama assanhada. Mas neste momento nem isso, Rita dedica-se ao esforço sobrenatural de tentar fazer o seu corpo dançar.
- Esta Rita a dançar faz-me lembrar a Elaine do Seinfeld.
- Quem?
Já na discoteca, afastados da pista, numa mesa, todos os que acompanharam Vasco, olham-no com um ar completamente esgazeado. Um deles, o João, aproxima-se dele, aperta-o num abraço e diz em tom adulador:
- Vasco és lindo! Estamos todos a reparar que és o máximo e que ficas lindo assim a cantar Pearl Jam com os olhos fechados. Pareces um Deus Grego, uma estrela, e estás cheio de luz, e estou mesmo feliz de te conhecer pá!
- Blargh! O inevitável aconteceu, o João olhava maravilhado para a sua roupa que era um misto de cerveja fermentada com um cachorro e vários copos de Cuba Livre (em honra às minorias oprimidas).
Assim que conseguiu escapulir-se, arrastou-se para casa. Tinha estado uma noite inteirinha com uma bando de gajos a viajar e nem se tinha apercebido.
Deitou-se e antes de adormecer pensou:
- Hoje é dia de falar com a Conchita!


 




[1]

Nota-se muito que revi Four Weddings and a Funeral no fim-de-semana?